Carlos Aragao (10-17-1959 / Brazil)
Esquecerte
Viviamos pelo entardecer,
Entre sol, mar, serenidade e saudade…
Viviamos entre vozes únicas,
Um som único e irreal...
A espera da declaração nos movia,
Nos acalentava,
Não se perdia...
O som único, e só nosso,
Era mais que motivação,
Éramos tudo e nada,
Um ponto de conciliação...
Te imaginei entre versos não ditos,
Entre poemas não escritos,
Entre desejos obscuros,
Em uma vida que éramos mais que puros...
Me imaginei num jardim secreto,
Entre pedras perdidas, buscadas e encontradas,
Entre sinos intocáveis, em momentos memoráveis...
Mas mais que tudo, te vi pura,
Fruto de meu saber.
Um sonho compartido,
Em cada alvorecer...
Me perdi no que nao eras,
Por eleger uma quimera...
Amei uma mentira,
Me perdi em minha própria ira...
Me perdi ao realmente conhecer te,
Me entreguei a uma mentira latente,
A um calor onipresente, uma paixão inconsequente...
Mas éramos mais que únicos,
Perfeitos em todos os sentidos,
Uma mentira compartida,
Um amor, mais que real, completamente perdidos.
Me ajoelho e mendigo,
Por nada mais lembrar de ti,
Por apagar o tudo, por nunca pertencer te.
Me ajoelho e mendigo,
Pelo dia de esquecerte.
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